21 de mar de 2015

Entrevista com Amanda Kalluf





Conversei com a jovem patinadora brasileira Amanda Kalluf, que em Dezembro passado estreou em competições internacionais em Tallin, na Estônia.
Foram 42 competidores, a Amanda de 12 anos competiu na categoria basic novice, ficando com a 24o colocação. Ela é mais uma promessa da nova geração de patinadores do gelo que podem representar o Brasil.

A Amanda fez parte da 1a turma de atletas brasileiros da seletiva da CBDG que aconteceu no ano passado, lembram? Ela treinou ao lado de Giulia Flemming, Luís Manela, Isadora Williams e Karolina Calhoun, que esteve recentemente aqui no Brasil

Agradeço antecipadamente a mãe da atleta, a brasileira Ana Kalluf, por ter autorizado a entrevista:


Conte-me quando começou a patinar e como são os seus treinos e preparação? 

Eu comecei a ir as arenas de patinação com aproximadamente 3 anos e meio de idade, por pura diversão, já que o inverno é longo aonde moro no lado leste dos Estados Unidos, aqui é uma prática comum de recreação.
Desde que me classifiquei para a competição em Tallinn na Estônia, a rotina no gelo se manteve diária, 6 vezes por semana, entre os meus três treinadores, sendo Kristen Fraser-Lukanin, que me acompanha em todas as competições, Igor Lukanin, treinador de footwork e Vitaliy Danuchenko, treinador de saltos, os mesmos acontecem pela manhã antes de eu ir para escola. Além das atividades fora do gelo, como ballet, alongamento, off ice, etc, que se realizam na parte da tarde.
Próximo a competições eu treino no gelo por dois períodos, manhã e tarde.
Mas parece que a dinâmica dos meus treinos será alterada, ainda não sei exatamente como.

Quando e como surgiu a oportunidade de representar o Brasil?

O ponta pé inicial com o Brasil foi a Clínica de Atletas Brasileiros em Nova Jersey no ano passado oferecida pela CBDG, aonde fui aprovada, depois dela participei de algumas competições com relevância em Nova York, Maryland e Nova Jersey, que me classificaram para primeira competição internacional em Tallinn em dezembro de 2014, aonde realmente representei o Brasil pela primeira vez.

Você tem algum tipo de patrocínio ou auxílio financeiro?

Infelizmente nós brasileiros não temos a cultura de patrocinar jovens talentos, assim sendo todos os treinamentos, sejam no gelo, fora do gelo, dança, alongamentos, equipamentos, viagens, etc, só acontecem porque meus pais acreditam em mim e lutam ao meu lado, tudo é custeado pelos meus pais, não conto com absolutamente nenhuma bolsa, patrocínio governamental, privado ou afins. Patrocínios são necessários para a melhoria do rendimento dos atletas e os sonhados resultados finais. O Brasil possui os melhores do mundo na patinação artística sobre rodas.

E você já patinou sobre rodinhas?

Sim, Já patinei sobre rodinhas e achei muito divertido.

Quais elementos você tem mais dificuldade e quais mais gosta de executar (por exemplo hydroblade, twizzles, algum salto específico)

Eu adoro patinar então é difícil escolher o que gosto mais, acho que meu footwork é bom, pois tive a nota máxima na competição em Tallinn.
Saltar é o que mais gosto de fazer, mas como todos os patinadores preciso treinar e treinar sempre para saltar bem.
Preciso ser mais flexível para alguns movimentos.

Quais são as suas referências ou ídolos na patinação?

Tenho uma grande admiração por um dos meus primeiros treinadores de salto Timothy Goebel, primeiro atleta fazer o salto quádruplo em uma Olimpíada, conquistando a medalha de bronze em 2002 em Salt Lake City, ano em que nasci.
A Isadora Williams passou ser uma grande referência minha na vida desportiva.

Você conquistou no ano passado dois títulos com resultados significativos. Quais são seus próximos objetivos? O que espera da temporada 2015?

O modelo de competições que costumava fazer tem sido modificado, os meus treinadores trabalham com objetivos claros para cada atleta de alto rendimento. Como os resultados na competição em Tallinn foram superiores as suas expectativas, na última sexta feira os mesmos informaram a minha família que a rotina de treinos seria modificada. Participarei de uma série de competições nos Estados Unidos com objetivo de qualificar para a competições da ISU em outubro na Bielorússia, e ao mesmo tempo estou sendo preparada para participar do primeiro Grand Prix.
Esses são os planos para 2015, vamos esperar pelos resultados.
Devido a minha pouca idade não poderei tentar a qualificação em 2015 para a próxima Olimpíada da Juventude em 2016.

Aqui do Brasil acompanhamos a clínica da CDBG que contou com a presença de Isadora Williams, Luiz Manella, Maria Eugênia Lopes, Karolina Calhoun e Giulia Flemming , pode nos dar detalhes dessa sua experiência, já que era a caçula do grupo? 

Foi uma experiência ímpar e transformadora na minha vida, além de ter o benefício de patinar ao lado daqueles que podem representar o Brasil, a oportunidade de estar junto, aprender e tentar me espelhar com quem lutou e chegou ao topo; aonde todo atleta deseja ir como a Isadora Williams; foi um privilégio.

Por fim, uma mensagem para os patinadores brasileiros que sonham em representar o Brasil na patinação artística no gelo.

Acho que tão importante quanto conseguir chegar nos objetivos que traçamos nas nossas vidas é se divertir e aproveitar a trajetória para os mesmos.
Sonhar e o primeiro passo para qualquer conquista.




É ou não é uma fofa?


Fica aqui o meu apoio e torcida! Boa sorte!!

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